Carros autônomos: risco e benefícios.
- Ezequiel Schukes Quister
- 12 de jun. de 2020
- 3 min de leitura

Em um dia frio, por exemplo, antes de sair de casa, do trabalho, você poderá mandar uma mensagem pro seu carro, através do seu aparelho de celular, para que ele ligue o motor e, se for o caso, o ar condicionado, para que quando você for pegá-lo o motor, bem como interior, já estejam aquecidos. Aliás, você poderá, ser for o caso, pedir ao seu carro que vá até a porta da sua casa ou trabalho e o aguarde ali. Parece coisa de filme, não é? Mas a realidade desse cenário é cada vez mais plausível.
A ideia do carro autônomo já é um sonho antigo do ser humano. Filmes e desenhos animados há anos já satisfazem nosso desejo de viver em uma cidade operada e sustentada por robôs, veículos autônomos, possibilitando aos indivíduos que façam outras coisas enquanto se deslocam para algum lugar. O que parecia ficção científica está se tornando cada vez mais uma realidade e, com isso, nosso modelo de transporte, de locomoção dentro e fora das cidades sofrerá uma alteração significativa.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a Uber foi autorizada a realizar testes com veículos autônomos[1], porém, eles ainda só podem realizar viagens circunscritas a determinados centros urbanos em pequenas cidades. A ideia é que se avaliem os riscos e, para isso, que os danos sejam mensuráveis em situações reais de deslocamento; por isso as restrições para que tais veículos não sejam utilizados em larga escala.
Ainda falando dos Estados Unidos, não se pode deixar de citar outro exemplo de utilização de veículo autônomo que beiram a ficção científica: é o R2, da empresa Nuro Robotics[2]. É um conceito de veículo utilizado apenas para entregas. A pessoa faz o pedido e o R2 fará a entrega no endereço indicado. Em tempos de pandemia essa ferramenta é de grande utilidade, não? Por enquanto a empresa só atua nas cidades de Houston, no Texas e Scottsdale, no Arizona.
No Brasil o cenário é promissor, mas, limitado. A Lume Robotics[3] já possui uma versão tupiniquim do veículo autônomo, contudo, não consta no site da empresa se o veículo já está em uso habitualmente a exemplo do que foi citado anteriormente em relação à Uber e à Nuro Robotics. Nossa realidade implica, talvez, em melhorarmos primeiramente as condições de trafegabilidade..
Sem dúvidas tais iniciativas visam ao desenvolvimento de tecnologia, de melhoramentos com relação à mobilidade urbana e, em maior escala, à facilitação da vida ao dispormos de melhores opções para locomoção. Entretanto, os riscos inerentes às atividades citadas anteriormente compensam? Só o tempo dirá. O certo é que o momento é oportuno, visto que a saturação dos ambientes urbanos demanda soluções criativas em mobilidade, e, que sejam menos poluentes, principalmente (considere que a maioria dos atuais carros autônomos é elétrica). Há quem aponte que teremos mais problemas que soluções quando tivermos uma frota de veículos autônomos nas ruas[4]. Certamente haverá situações problemáticas, como em tudo na vida, mas uma dose de problemas também nos força a procurar alterativas, não é mesmo? Se tudo fica mais fácil, estagnamos, eu penso.
Por fim, uma nova gama de serviços surgirá desse novo cenário que se descortina. Precisaremos de novos produtos, de novos serviços e de novas interações. Pense, por exemplo, no seguro dos veículos autônomos, sobre a complexa cadeia de possíveis responsáveis pelos danos que eles causarem. Se a falha for do sistema de navegação do veículo, posso considerar que há responsabilidade direta do fabricante de tais sistemas? Ou será culpa concorrente com o usuário? Haverá possibilidade de fazer um seguro mais barato quando o carro tiver um ocupante, que possa assumir o comando dele em caso de falha do sistema? O carro poderia reconhecer um condutor embriagado, por exemplo, e se recusar a andar? Ou levar o bebum direto para um posto policial?
Enfim, são tantas as questões e possibilidades que se poderia pensar ser cedo para refletir sobre isso. Contudo, considere que a Volvo divulgou, recentemente, que até o final do ano de 2020 espera comercializar o modelo XC90 com um sistema de autonomia de navegação; por isso é preciso pensar desde já nas implicações que isso trará.





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